Esse é o novo endereço do blog pessoal. Que quem sabe voltará a existir. O antigo http://flavitavalsani.wordpress.com/ vira blog corporativo.



.compasso., originally uploaded by flavita.valsani.

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.
–Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

by Elizabeth Bishop

Update

tradução tosca, minha

A arte de perder não é difícil de dominar;
Tantas coisas parecem repletas da intenção de serem perdidas
Que a sua perda não é um desastre.
Perca algo todo dia. Aceite a perturbação de ter perdido as chaves de casa, a hora mal gasta.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Então pratique perder profundamente, perder mais rápido:
Lugares, e nomes, e para onde você gostaria de ter viajado. Nada disso trará desastre.
Eu perdi o relógio da minha mãe. E veja! Minha última, ou próxima-a-ser-última, de três queridas casas se foi.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Eu perdi duas cidades, pessoas queridas. E, ainda mais vasto, alguns reinos eu possuí, dois rios, um continente. Eu sinto falta deles , mas não foi um desastre.
Até mesmo perder você (a voz brincalhona, o gesto que eu amo) eu não poderia mentir. É evidente que a arte de perder não é difícil de dominar embora possa parecer (escreva!) como um desastre.

ps: para quem não entendeu, o E agora José? está em crise. Digamos que ele não sobreviva ao final de semana. Talvez ele tenha nascido para ser perdido.



Birds II, originally uploaded by flavita.valsani.

Tem algo de muito poético em pombos-correio . De um tempo que não existe mais e a gente logo pensa em imagens cinematográficas, romances impossíveis e cenários de guerra. De repente, não mais do que de repente, tem um pombo-correio na sua mesa. Dentro de uma caixa. A minha irmã (aka @danielavalsani) recebeu um hoje por um motoboy. Eu não sei como eu me sentiria ao abrir uma encomenda e dar de cara com um pombo ou qualquer outro animal. Não me parece uma surpresa agradável. Talvez seja culpa das minhas referências cinematográficas, mas esse lance de entregar animais é sinônimo de tortura, desgraça, morte, dívida com a máfia (ok, não me lembrem dos filmes fofos
em que cachorrinhos são entregues em caixinhas).

Eu entendo a pressão do mercado para que as empresas sejam criativas. Acho bacanérrimo unir o antigo e o novo. Só não acho bacana o antigo ser um pombo-correio e o novo ser uma caixa de papelão na caçamba de um motoboy. Jura que ninguém envolvido nessa ação pensou que poderia pegar mal? É um ser vivo dentro de uma caixa. Não é uma questão de ser ecochata ou politicamente correta. É bom senso, puro e simples.

Tudo bem, por livre e espontânea vontade eu peguei o metrô às 18h00 ontem. Não foi legal e deve ser como estar dentro de uma caixa ou de uma lata de sardinha, mas foi a minha opção. Tenho certeza de que não foi a opção do pombo, óbvio.

A Dani, ligou para Zoonoses e o problema é que a ação é legal, eles não podem fazer nada. A recomendação foi soltar o pombo porque eles realmente sabem para onde ir. Com o pombo foi o bilhetinho em que eles deveriam preencher com os contatos do departamento de Compras. Ah sim, eu esqueci do crucial: tudo isso para agendar uma reunião. Definitivamente eles chamaram a atenção.

Eu estou na expectativa, assim que eles ligarem de volta e se identificarem eu vou contar para todas as pessoas que eu conhecer. No twitter, no flickr, no Facebook, na padaria, na escola, no elevador, no supermercado, nos museus, no templo, no médico…em TODOS os lugares.

Como dizem no twitter #epicfail!

Update

A Dani fotografou o folheto: Parte I, Parte IIe Parte III.



no more rain, originally uploaded by alǝx.

Eu não poderia amar +! Da série: eu queria ter feito.

The Big Picture, do Boston Globe, traz GRANDE os 40 anos do homem na Lua

The Big Picture, do Boston Globe, traz GRANDE os 40 anos do homem na Lua

Vou aproveitar para escutar escutar Man on the moon do REM.

Visitantes cuidam deles mesmos, no Sesc Pompeia

Visitantes cuidam deles mesmos, no Sesc Pompeia

O ano era 1995. Meu primeiro ano de faculdade. A missão era ler Trilogia de Nova Iorque, do escritor americano Paul Auster. Eu já tinha ouvido falar dele, ou melhor, meu pai já tinha alguns livros dele, mas eu não tinha lido nenhum. Quando cheguei em casa já fui pedindo o livro emprestado.

“Espera, pega também o Leviatã. Acho que você vai gostar. Ah, uma das personagens é fotógrafa”.

Assim começou minha paixão mais longa e dolorosa. Platônica, claro, porque sou campeã em amores platônicos. Sempre foram os meus preferidos. Durante anos fui tão apaixonada, quanto obcecada por Paul Benjamin (que como eu tem nome duplo, eu me apego a esses detalhes), um rapaz (!) de Nova Jersei que foi parar na França e ainda enveredou pelo cinema. Como não me apaixonar?

Li Leviatã em uma madrugada. E sempre foi assim com todos os livros dele. Eu nunca consegui ter uma relação normal com os textos de Auster. Era tudo ou nada. Na faculdade, minha monitoria foi baseada na obra dele. Regime literário 24/7. Eu lia o que ele escrevia, os autores que ele lia, as entrevistas que ele dava. Era praticamente uma groupie.

E um dia eu resolvi parar de ler. Não li os últimos 4.

Corta.

Julho de 2009. Cuide de Você chega a São Paulo para uma temporada relativamente longa. Muito já foi dito e não vou me ater aos prós e contras da arte contemporânea, da autoficção, do limite entre público e privado ou das diferenças entre literatura que explora a interioridade e a que expõe a intimidade (link via @ladyrasta).

A primeira vez que eu li ou ouvi dizer qualquer coisa sobre a exposição pensei com meus botões: “ai meu pai, como assim?”. Parecia um tanto quanto vexatório e oportunista o uso do email como ponto de partida para uma obra de arte, mas essa é a sociedade em que vivemos certo? Onde o privado é público, onde o íntimo é exposto a todo momento.

De qualquer maneira, Cuide de Você nos confunde mais pelas emoções que um rompimento causa do que pela história de Sophie em si. Antes de ir eu visitei o blog da exposição e li os textos participativos. Fiquei com aquela sensação de gosto amargo na boca, mas logo na sequência minha xará me mostrou que existem retratos de amores que terminaram que podem nos emocionar sem ter o peso do rancor.

Rompimentos nunca são fáceis, sempre são dolorosos e, para mim, Cuide de Você era representativo pelos meus ex-amores, por ter decidido abandonar uma carreira após 10 anos, por ter perdido – na mesma semana – três ícones da minha infância: este, esta e este {essas histórias eu conto outro dia}.

Se eu tinha dúvidas em relação ao resultado da exposição, elas foram para o ralo assim que eu pus os pés lá dentro. Fiquei arrepiada e isso não é figura de linguagem. Sinceramente eu não achei que me sentiria assim. O que me impressionou não era só o visual daquelas mulheres lendo a carta. Ou ouvi-las interpretando o texto. Ou ainda as várias versões daquela folha expostas na parede ou disponíveis para os visitantes levarem para a casa. Era o universo particular de cada um acontecendo naquele instante. Um punhado de desconhecidos ali, parados, quietos. Todos – homens e mulheres – com uma brochura na mão lendo as interpretações daquelas 104 mulheres, uma cacatua e duas marionetes.

Havia algo de mágico naquele silêncio. Apenas as palavras das mulheres ecoavam no salão. Do outro lado, um balcão com livretos vermelhos expunha os objetivos da exposição, contava um pouco da história da autora e trazia algumas perguntas para reflexão, além de uma página em branco para que você pudesse escrever uma carta e romper seu relacionamento. Hummmm…

De uma forma ou de outra, a saída encontrada por Sophie é reflexo de uma postura muito comum entre as mulheres (pelo menos entre as que eu conheço, deixo claro). É necessário esgotar todas as interpretações até que não haja mais forças para pensar ou sentir. Talvez essa tenha sido a única forma de se libertar, ainda que paradoxalmente eles estejam eternamente ligados por essas palavras. Aliás, não vejo tanta diferença assim entre a obra dela e a dele. A discussão “ética” me parece um pouco hipócrita, mas o que sei eu de arte e literatura? Rigorosamente nada.

Corta.

Eu sou um ser impressionável e voltei com sede de Sophie Calle. Daí eu resolvi ler todos os links sobre o assunto que eu não tinha lido. E eu não sei se eu já comentei por aqui, mas eu sou lesada e eu nunca tinha me dado conta que ela é a inspiração de Paul Auster para Maria Turner, a fotógrafa de Leviatã, uma mulher “simplesmente excêntrica, uma pessoa heterodoxa, que levava sua vida segundo um conjunto refinado de rituais bizarros e peculiares”.

Hoje, inclusive, comprei o DVD do Man on Wire que por aqui se chamou O Equilibrista. Se você já leu Paul Auster sabe porque essa referência é importante. Se não leu…vai lá e descobre. De um jeito ou de outro, sem querer – por mera distração – Paul Auster voltou para a minha vida, o que me faz suspeitar que vou ser obrigada a voltar às madrugadas em claro. Estou quatro livros atrasada.

Links recomendados:

A melhor matéria que eu li sobre o assunto
Prenez Soin de Vous
Tag: Sophie Calle
Galerie Perrotin
Wikipedia, claro

Nota:
Vamos concordar que Grégoire facilitou bastante a produção artística. Gostaria de ver o resultado baseado nisso aqui. Eu adoro esse episódio. A cara dela é impagável.

Se essa é a notícia mais importante do G8…vamos mal. O que me incomoda nem é o Obama possivelmente ter olhado (o Sarkoza, sem sombra de dúvida olhou. Vai ser nojento assim lá longe), mas terem reduzido a importância de Mayara Tavares à sua capacidade de fazer girar cabeças tão ilustres é o retrocesso de qualquer vitória do movimento feminista. O pai da moça também não colabora.

Caros senhores, Mayara merecia repercussão mundial pelos resultados e participação na pesquisa “Ser Criança e Adolescente no Rio de Janeiro”.

Lembrando que Mayara tem apenas 17 anos. O orgulho das manchetes me dá…nojinho. Minha impressão sobre a visibilidade feminina no mundo foi resumida em uma conversa com a @cristalk no twitter.

twitter

Já dizia Cazuza: “Transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro…“. Eu quero ter esperança de que algum dia vai ser diferente, mas tenho as minhas dúvidas.


Update
: A srta Bia também fala sobre o assunto aqui.



Faster!Faster!, originally uploaded by sugarock.

Conheçam o meu novo flickr favorito!



La pluie à Paris (II), originally uploaded by *Glauka.

Podia ser a Laura, mas o guarda-chuva dela é lilás.

Oseas, brasileiro, originally uploaded by flavita.valsani.

Um dia ele foi criança. O sonho dele era ser independente, o que na prática é o mesmo que dizer: eu quero ser livre. No fundo, é isso que a gente quer: ser livre. Ter liberdade de escolha. Liberdade de sentir. Liberdade de ir e vir.

Oseas Santos e Silva é um brasileiro como qualquer outro. Nascido e criado em São Paulo, tem 49 anos, é casado, “muito bem casado” e tem 3 filhos, um de 18 anos e um casal de 12 anos. Ele brotou um dia na janela do carro do Toni quando íamos almoçar no Eldorado, no farol da Sapetuba com a Francisco Morato.

“Ei, você não quer comprar um pano de saco? Compre e colabora com a campanha: Vamos limpar o Brasil!”

Enquanto o Toni, bem sério, prestava atenção no argumento de venda, a Fernanda tinha um ataque de risos daquele que só ela sabe ter e aplaudia. Era para aplaudir mesmo. Diariamente nós somos surpreendidos pela espontaneidade e sacadas de gente que não teria motivo nenhum para pensar diferente. Gente que não foi para a faculdade para ter diploma e que por isso não está nem um pouco preocupada se o STF a compara ou não com cozinheiros. Gente que é auxiliar de enfermagem, mas que “ganha igual ou mais como autônomo nos faróis do que no setor privado dos hospitais”.

Oseas concluiu o segundo grau com muita dificuldade, “tive que fazer supletivo. A minha pretensão com esse trabalho é de declarar e de conscientizar a todo cidadão… é que não importa o seu grau de escolaridade ou a sua cultura. O importante é como se diz… fazer algo que chame a atenção da sociedade para aquilo que venha a ser o seu ganha-pão, honestamente, sem passar por cima de ninguém, sem enganar ninguém”.

Ele sonha com o negócio próprio, como milhares de brasileiros. Ele encontrou no pano de saco a bola da vez, aposta nele como o futuro dele e da família. “Esse é para mim o mais ecologicamente (sic), o menos poluente para o nosso ecossistema. Daí me veio a idéia de lançar uma campanha: Vamos limpar o Brasil. Ela não é uma campanha para fins lucrativos para ONGs religiosas ou políticas”, explica para mim e para o Pedro.

Ele faz questão de esclarecer que o argumento não é político. Eu, na verdade, tinha certeza que era. Engano meu. Olha só o que o que o Oseas tem a dizer sobre isso, na íntegra:

“Quando eu abordo as pessoas para apresentar meu produto eles até riem ou zombam dos políticos, mas acho isso interessante. Através desse riso, ele passa a entender o objetivo real da minha venda.

Eu não fiz pesquisa, mas dentre os produtos que usamos o que mais usamos é o tecido. Pra onde vão as nossas roupas? Quando elas ficam velhas onde vão? Você não vê as roupas espalhadas no chão. Você encontra os plásticos nos rios, nos córregos, nas ruas. Mas tecido é muito difícil ver jogado por aí. Vamos limpar o Brasil! A limpeza começa na nossa casa. Conscientizar a nossa casa de armazenar adequadamente o lixo. Pano de prato, de mesa.

O apelo ecológico é mais forte que o político. O apelo político é até menosprezado. Uma pessoa que eu abordei até falou ‘nossa, se for pra limpar o Brasil a gente vai precisar de muitos panos desse’. Daí a venda não sai. O apelo ecológico gera um apelo mais positivo. A conversa acontece melhor… as pessoas preferem pensar mais nisso.”

Freud explica … (mas eu vou deixar isso para outro post)

Oseas tem esperança e mais do que isso ele batalha para que o sonho saia do plano das idéias e se torne realidade. Quando cai a noite ele não vai para casa, começa mais uma jornada como auxiliar de enfermagem. Os filhos apóiam o pai e ficam “maravilhados” com essa disposição. “Quando eu chego em casa eles vêm me ajudar com o produto para no outro dia eu estar com tudo pronto”. O mais velho logo consegue o certificado de reservista e vai render o pai quando este precisar se ausentar. “Aqui não é para toda vida. É só o campo de divulgação. Já estou planejando alguns panfletos que ajudem os motoristas a passar o assunto pra frente”, explica.

Amanhã

Aos 18 anos, o filho mais velho de Oseas tá de olho nas Ciências da Computação. “Já o pequeno quer ser um doutor advogado. Ninguém tira isso da cabeça dele. A menina tá indo ou para o lado da veterinária ou para a medicina”, conta o empreendedor.

Eu: Olha, mas você sabia que agora sem diploma dá para ser jornalista?

“Olha, fala a verdade hein? Eu até gostaria, sinceramente. Principalmente essa área que eu tô aí nessa campanha, tudo que está voltado ao nosso desenvolvimento – como eu poderia me expressar melhor – o nosso convívio, a nossa sociedade. Estar dentro de algo assim, orientar as pessoas, reportagens em relação a áreas em que podemos ou não construir, sabe, esse tipo de coisa. Fazer um jornalismo real.”

Façam as suas apostas… Eu aposto no Oseas!

ps: Agradecimentos ao Pedro, que foi meu assistente na entrevista. Aliás, ele também é músico. No clipe ele é o rapá de camiseta azul =P